quinta-feira, outubro 02, 2014

Uma Outra Voz


 
Título: Uma Outra Voz
Autor: Gabriela Ruivo Trindade
Editora: Leya

Sinopse:
"João José Mariano Serrão foi um republicano convicto que contribuiu decisivamente para a elevação de Estremoz a cidade e o seu posterior desenvolvimento. Solteiro, generoso e empreendedor como poucos, abriu lojas, cafés e uma oficina, trouxe a electricidade às ruas sombrias e criou um rancho de sobrinhos a quem deu um lar e um futuro. É em torno deste homem determinado, mas também secreto e contido, que giram as cinco vozes que nos guiam ao longo destas páginas, numa viagem que é a um tempo pessoal e colectiva, porque não raro as estórias dos narradores se cruzam com momentos-chave da história portuguesa. Assim conheceremos um adolescente que espreitava mulheres nuas e ria nos momentos menos oportunos; a noiva cujos olhos azuis guardavam um terrível segredo; um jovem apaixonado pela melhor amiga que vê a vida subitamente atravessada por uma tragédia; a mãe que experimentou o escândalo e chora a partida do filho para a guerra; e ainda a prostituta que escondia documentos comprometedores na sua alcova e recusou casar-se com o homem que a amava. Por fim, quando estas vozes se calam, é tempo de ouvirmos o protagonista através de um diário escrito noutras latitudes e ressuscitado das cinzas muitos anos mais tarde.
Baseado em factos reais, Uma Outra Voz é uma ficção que nos oferece uma multiplicidade de olhares sobre a mesma paisagem, urdindo a história de uma família ao longo de um século através das revelações de cada um dos seus membros, numa interessante teia de complementaridade."

Comentário:
Gostei muito.
O estilo de livro, que vai desfiando as personagens, cada uma assumindo o papel de narrador, cativa qualquer leitor. E a história desenrola-se. A história de uma família. Vidas que se cruzam e se separam. Vidas que nos prendem, que nos interessam. Vidas que nos permitem perceber um pouco da história do nosso país.
"O amor das mães é maior do que qualquer moral, qualquer sentido, qualquer humanidade. O amor das mães habita essa fronteira de desumanidade que existe no mais profundo de nós. Mesmo os homens, que nunca serão mães, têm dentro de si a possibilidade desse amor que aglutina tudo. Que se alimenta de si mesmo. Que não tem pudor. Que mata e trucida, se for preciso. Que é obsceno. Que não tem medo de nada. Ou que tudo teme. O que é a mesma coisa."
Adorei a descrição do amor das mães.


terça-feira, setembro 30, 2014

Cicatriz


Título: Cicatriz
Autor: Diogo Sabas Vieira
Editora: Chiado Editora

Sinopse:
"Existem noites mais escuras que outras, mas existe sempre um amanhecer.
As pessoas gastam rios de energia a fazer coisas que só lhes prolonga o sofrimento do tempo por passar. Bastava respirarem fundo de vez em quando para ver o quanto é bom existir.
A razão da minha existência é fazer coisas engraçadas. Não engraçadas como coisas de polichinelo, mas engraçadas ao ponto de fazerem a minha vida ter uma razão de ser. É, assim, um ciclo vicioso."

Comentário:
É difícil escrever sobre um livro de um amigo, de um grande amigo.
Cada página tem o seu cheiro, o seu jeito, o seu eu derramado em palavras.
Foi um bom começo e quero mais...
Keep on writing!


quinta-feira, setembro 25, 2014

O Império dos Homens Bons

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Título: O Império dos Homens Bons
Autor: Tiago Rebelo
Editora: Edições Asa
 
Sinopse:
"Em 1847, na pequena vila de Inhambane, um punhado de famílias esquecidas pela coroa portuguesa luta heroicamente para impor uma nova civilização em território africano.
Acabado de se ordenar em Lisboa, o jovem padre Joaquim Santa Rita Montanha é enviado para Moçambique com a sagrada missão de prestar apoio espiritual aos europeus e evangelizar os indígenas. O seu sonho de realizar uma obra que fique para a história depara-se com dificuldades que parecem insuperáveis. Mas, apesar de todos os obstáculos, o padre Montanha nunca desiste dos seus objectivos ambiciosos e, em breve, torna-se o pilar desta pequena sociedade branca rodeada por milhares de guerreiros de tribos hostis.
Personagem complexa, o padre Montanha é um fervoroso homem de Deus que goza de invulgar prestígio mas não abdica de uma paixão arrebatada pela escrava Leonor, com quem vive um amor proibido. É, sobretudo, o explorador que não hesita em enfrentar perigos imensos para concretizar uma viagem aos holandeses no interior do sertão e, assim, inaugurar as relações diplomáticas entre o reino de Portugal e os fundadores da futura República Sul-Africana.
Tal como o tenente Montanha, personagem inesquecível do seu anterior romance O Tempo dos Amores Perfeitos, o padre Montanha é antepassado do autor. O Império dos Homens Bons é resultado de uma minuciosa pesquisa sobre a vida deste homem singular e a recriação histórica de uma época de grande romantismo em África. Trata-se de um retrato de época brilhante e de enorme talento."
 
Comentário:
Ainda sabe melhor quando não esperamos muito de um livro e ele absorve-nos. Lê-se muito bem.
A época retratada é interessante. E ainda se dá umas gargalhadas com as politiquices portuguesas que foram transplantadas para as colónias. Povo como o nosso não existe em mais nenhum país do mundo...
 

segunda-feira, setembro 22, 2014

A Rainha Descalça



 
Título: A Rainha Descalça
Autor: Ildefonso Falcones
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
"Sevilha, 1748.
Quando uma jovem cigana conhece uma antiga escrava de Cuba, nem sequer imagina a importância que aquela amizade irá ter durante as perseguições ao povo cigano. Através da música e da dança, duas culturas irão misturar-se.
Uma história de traição, amor e esperança, desde uma Sevilha fervilhante e o seu povo cigano à Madrid em expansão na primeira metade do século XVIII, que marca o nascimento de uma nova arte: o flamenco."

Comentário:
Sempre em grande, o Ildefonso. O terceiro que devorei.
Muito bem estruturado com a base histórica que o caracteriza.
É impressionante. A escrava liberta que não consegue deixar de obedecer, a cigana sedutoramente ingénua, o cigano patriarca detentor de princípios inerentes à sua cultura. Até ao desfecho final...

domingo, setembro 21, 2014

Para onde vão os guarda-chuvas





Título: Para onde vão os guarda-chuvas
Autor: Afonso Cruz
Editora: Alfaguara

Sinopse:
"O pano de fundo deste romance é um Oriente efabulado, baseado no que pensamos que foi o seu passado e acreditamos ser o seu presente, com tudo o que esse Oriente tem de mágico, de diferente e de perverso. Conta a história de um homem que ambiciona ser invisível, de uma criança que gostaria de voar como um avião, de uma mulher que quer casar com um homem de olhos azuis, de um poeta profundamente mudo, de um general russo que é uma espécie de galo de luta, de uma mulher cujos cabelos fogem de uma gaiola, de um indiano apaixonado e de um rapaz que tem o universo inteiro dentro da boca.
Um magnífico romance que abre com uma história ilustrada para crianças que já não acreditam no Pai Natal e se desdobra numa sublime tapeçaria de vidas, tecida com os fios e as cores das coisas que encontramos, perdemos e esperamos reencontrar."
Comentário:
Mais uma estreia.
Já deu para perceber que as férias foram profícuas em leituras.
Comprei pelo título.
Terminei porque estava com curiosidade para verificar que final ia sair deste emanharado.
"Uns caminham na penumbra a acompanhar o sol, outros atravessam a noite e vêem o dia."
As personagens caricatas e exploradas até à exaustão fazem com que o término me deixe frustrada.

quarta-feira, setembro 17, 2014

Biografia Involuntária dos Amantes



Título: Biografia Involuntária dos Amantes 
Autor: João Tordo
Editora: Alfaguara

Sinopse:
"Numa estrada adormecida da Galiza, dois homens atropelam um javali. A visão do animal morto na estrada levará um deles — Saldaña Paris, um jovem poeta mexicano de olhos azuis inquietos — a puxar o primeiro fio do novelo da sua vida. Instigado pelas confissões desconjuntadas do poeta, o seu companheiro de viagem — um professor universitário divorciado — irá tentar descobrir o que está por trás da persistente melancolia de Saldaña Paris.
A viagem de descoberta começa com a leitura de um manuscrito da autoria da ex-mulher do mexicano, Teresa, que morreu há pouco tempo e marcou a vida do poeta como um ferro em brasa. O narrador não poderia adivinhar (porque nunca podemos saber as verdadeiras consequências dos nossos actos) que a leitura desse manuscrito teria o mesmo efeito sobre a sua vida.
As páginas escritas por Teresa revelam a sua adolescência no seio de uma família portuguesa contaminada pela desilusão: um pai ausente e alcoólico, um tio aventureiro e misterioso, uma mãe demasiado protectora. Mas o que ressalta com maior vivacidade daquelas páginas é o relato enternecedor do seu primeiro amor, ao mesmo tempo que começam a insinuar-se na sua vida realidades grotescas e brutais. Confrontado pela primeira vez com a suspeita dessa terrível possibilidade, Saldaña Paris mergulha numa depressão profunda. Determinado em libertar o amigo do poder corrosivo do mal, o nosso narrador compõe então, peça a peça, a biografia involuntária dos dois amantes. Uma biografia que passa pelo desvelar do passado, para que este não contamine irremediavelmente o futuro."
 
Comentário:
Adorei.
Uma estreia deliciosa.
O fascínio que exerce a vida das outras pessoas. Especialmente a obsessão de um homem por uma mulher repleta de mistério. Com um passado arrepiante que a marcou toda a vida.
"...nunca se encontra o amor porque não é passível de ser encontrado. Que não nos acontece quando queremos mas quando estamos distraídos ou adormecidos."
Retiro destas palavras escritas a certeza de nós somos o que fazem de nós, a nossa carapaça envolve-nos e determina tudo. Somos fruto das circunstâncias.
"...ter sido casado com uma mulher que tinha um passado porventura mais dilacerante que o dele; e desse passado, de tão poderoso, ter anulado o presente e transformado o futuro numa palavra lacónica e sem significado."
O passado eterniza-se em nós e não vale a pena tentarmos fugir porque ele faz parte do nosso corpo, como se fosse um odor.
E a ideia final de que as aventuras e desventuras de um amigo influenciam determinantemente a vida do outro amigo ao ponto do mesmo reconsiderar a sua posição na vida.
"Dedica-te a amar as coisas certas em vez das coisas erradas."

sábado, setembro 13, 2014

O Jogo de Ripper


Título: O Jogo de Ripper
Autor: Isabel Allende
Editora: Porto Editora

Sinopse:
"Indiana e Amanda Jackson sempre se apoiaram uma à outra. No entanto, mãe e filha não poderiam ser mais diferentes. Indiana, uma bela terapeuta holística, valoriza a bondade e a liberdade de espírito. Há muito divorciada do pai de Amanda, resiste a comprometer-se em definitivo com qualquer um dos homens que a deseja: Alan, membro de uma família da elite de São Francisco, e Ryan, um enigmático ex-navy seal marcado pelos horrores da guerra.
Enquanto a mãe vê sempre o melhor nas pessoas, Amanda sente-se fascinada pelo lado obscuro da natureza humana. Brilhante e introvertida, a jovem é uma investigadora nata, viciada em livros policiais e em Ripper, um jogo de mistério online em que ela participa com outros adolescentes espalhados pelo mundo e com o avô, com quem mantém uma relação de estreita cumplicidade.
Quando uma série de crimes ocorre em São Francisco, os membros de Ripper encontram terreno para saírem das investigações virtuais, descobrindo, bem antes da polícia, a existência de uma ligação entre os crimes. No momento em que Indiana desaparece, o caso torna-se pessoal, e Amanda tentará deslindar o mistério antes que seja demasiado tarde.

Comentário:
A minha Isabel a enveredar pelo policial.
Muito bem engendrado, com personagens apelativas e interessantes.
Um dos meus géneros preferidos.
Uma das minhas escritoras favoritas.
Daqueles que se lê de uma assentada...

quarta-feira, setembro 10, 2014

A Desumanização


 
Título: A Desumanização
Autor: Valter Hugo Mãe
Editora: Porto Editora

Sinopse:
"«Mais tarde, também eu arrancarei o coração do peito para o secar como um trapo e usar limpando apenas as coisas mais estúpidas.»
Passado nos recônditos fiordes islandeses, este romance é a voz de uma menina diferente que nos conta o que sobra depois de perder a irmã gémea. Um livro de profunda delicadeza em que a disciplina da tristeza não impede uma certa redenção e o permanente assombro da beleza."

Comentário:
"... não vale de nada a vida se não a jogarmos por inteiro."
Foi um livro mastigado mas consegui chegar ao fim.
Custou-me porque é um livro muito denso. 
Demorei mais tempo a ler nas entrelinhas do que a acompanhar uma história aparentemente fácil.

Rosa Cândida

 

Título: rosa candida
Autor: Audur Ava Ólafsdóttir
Editora: Marcador

Sinopse: 
"Um jovem decide deixar a casa da sua infância, o irmão autista, o pai octogenário e as paisagens familiares de campos de lava cobertos de musgo, em busca de um futuro desconhecido.
Pouco antes da sua partida recebe um terrível telefonema: a mãe falecera num acidente de carro. As suas últimas palavras tinham sido de doce conselho ao filho, incitando-o a continuar o trabalho que partilhavam na estufa, mais especificamente o cultivo de uma variedade de rosa rara, a Rosa Candida.
Antes da morte da mãe, naquela mesma estufa, vivera um breve encontro de amor. Foi quando já preparava a sua partida que soube que, nessa noite, concebera inocentemente uma criança. Atordoado com todos estes súbitos acontecimentos, procura refúgio, recolhendo-se num majestoso jardim abandonado de um antigo mosteiro europeu.
É aí que se vai dedicar a fazer florescer aquela rosa rara de oito pétalas. Ao concentrar a sua energia no seu cultivo, aprende também, sem dar por isso, a cultivar o amor.
Rosa Candida é a história de um jovem que assume o papel de pai ao mesmo tempo que se torna homem. Uma história de amadurecimento, sobre a beleza da vida e a forma como pequenas e simples experiências podem muitas vezes transformar a realidade numa extraordinária e incomum vida. Um livro impressionante que nos faz perceber que mudar, por vezes, é tudo o que precisamos..."
 
Comentário:
Na Islândia, as famílias são parecidas com as nossas e as suas histórias fascinam qualquer um.
O filho que se aventura para outro país, o filho que recorda a prematura morte da mãe, o filho que tem uma filha com uma desconhecida, o filho que herdou o gosto pelas flores, o filho que aprendeu conhecer a mãe da filha.
O filho transformou-se em pai e correu bem, muito bem.
E a rosa das oito pétalas existe...
A vida tal como ela é!

segunda-feira, novembro 04, 2013

A Verdade sobre o Caso Harry Quebert



Título: A verdade sobre o caso Harry Quebert
Autor: Joël Dicker
Editora: Alfaguara


Sinopse:
"Verão de 1975. Nola Kellergan, uma jovem de quinze anos, desaparece misteriosamente da pequena vila costeira de Nova Inglaterra. As investigações da polícia são inconclusivas. Primavera de 2008, Nova Iorque. Marcus Goldman, escritor, vive atormentado por uma crise da página em branco, depois de o seu primeiro romance ter tido um sucesso. Junho de 2008, Aurora. Harry Quebert, um dos escritores mais respeitados do país, é preso e acusado de assassinar Nola, depois de o cadáver da rapariga ser descoberto no seu jardim. Meses antes, Marcus, discípulo de Harry, descobrira que o professor vivera um romance com Nola, pouco tempo antes do seu desaparecimento. Convencido da inocência de Harry, Marcus abandona tudo e parte para Aurora para conduzir a sua própria investigação."

Comentário:
Um romance policial muito bom.
Daqueles em que as páginas passam velozmente como um Porsche na autoestrada.
Daqueles em que cheiramos o final mas estamos sempre na dúvida de quem será o assassino.
Daqueles em que há voltas e reviravoltas.
Sempre percorrendo o ser escritor. Com verdades irrefutáveis:
"A vida é uma longa queda... o mais importante é saber cair."
"É a doença dos escritores, não é deixar de poder escrever: é não querer escrever mas ser incapaz de não o fazer".
E muitas mais...
I wish I was a writer!

A Confissão da Leoa


 
Título: A Confissão da Leoa
Autor: Mia Couto
Editora: Caminho

Sinopse:
"Um acontecimento real - as sucessivas mortes de pessoas provocadas por ataques de leões numa remota região do norte de Moçambique - é pretexto para Mia Couto escrever um surpreendente romance. Não tanto sobre leões e caçadas, mas sobre homens e mulheres vivendo em condições extremas."

Comentário:
Gostei muito.
Escreve com uma leveza surpreendente. Com o acento tónico nos leões, metaforicamente transfigurados nas gentes de África.
"Todos já caçámos, todos já fomos caçados."
É refrescante o encadeamento da história, em como nos apanha desprevenidos. A Mariamar é uma personagem em estado selvagem que retrata a condição feminina em determinados países de um continente aqui tão perto mas a uma eternidade de distância.
E é tão verdade o que escreve:
"...as dores passam, mas não desaparecem. Elas migram para dentro de nós, alojam-se algures no nosso ser, submersas num fundo de lago."

domingo, outubro 06, 2013

A Mão de Fátima


Título: A Mão de Fátima
Autor: Ildefonso Falcones
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
"A história de um jovem dividido entre duas religiões e dois amores, em busca da sua liberdade e da do seu povo, na Andaluzia do séc. XVI.
1568. Depois de derrotados por Isabel, a Católica, a comunidade muçulmana andaluza sobrevive com muitas dificuldades, sob a constante repressão dos Cristãos, mas depressa o descontentamento dá lugar a uma sanguinária revolta.
Entre os revoltosos encontra-se Hernando, um jovem desprezado pelo seu próprio povo e maltratado por Brahim, o seu padrasto. Dotado de uma extraordinária habilidade para lidar com animais, Hernando salva a vida ao filho de uma jovem belíssima, Fátima. Dividido entre a fé que lhe foi incutida e as atrocidades que vê serem cometidas em nome de Alá, o seu coração impele-o a ajudar um nobre cristão, obtendo a sua eterna gratidão.
Porém, a sua coragem e honestidade também lhe granjeiam alguns inimigos, sobretudo o seu cruel padrasto que, aproveitando-se da morte do rei, consegue condenar Hernando à escravatura e desposar a bela Fátima, o grande amor do enteado. Brahim, na qualidade de lugar-tenente do novo monarca, parece inatacável, e Hernando parece condenado à desgraça…"

Comentário
Já me tinha habituado à grandiosidade da escrita deste espanhol.
Mas ainda não me recuperei deste ping-pong religioso, que dizimou milhares de pessoas, quando o Deus é único, tem é vários nomes, crenças e tradições.
A ironia da coisa é mesmo nascer muçulmano loiro de olhos azuis.
Retrata exaustivamente um país em pleno século XVI e um homem preso entre dois mundos. É um incompreendido.
Gostei particularmente do fim. Porque nem sempre o amor vale tudo, e a lealdade ainda significa alguma coisa, nem que seja em tempos ancestrais...

Servidão Humana



Título: Servidão Humana
Autor: William Somerset Maugham
Editora: Edições Asa


Sinopse:
"Servidão Humana é um dos romances mais emblemáticos do século XX e a obra-prima de Somerset Maugham. Esta narrativa clássica de entrada na idade adulta conta a história de Philip Carey, alter ego do autor na sua juventude, dividido entre o fervor religioso da família e o desejo de liberdade que os livros e os estudos lhe dão a conhecer. Na sua ânsia por independência e aventura, Philip sai de casa em busca de uma carreira como artista em Paris. Mas os seus planos vão ser postos em causa quando se apaixona perdidamente pela mulher que mudará a sua vida para sempre.

Relato inigualável sobre o poder do desejo e da sede de liberdade do homem moderno, Servidão Humana coloca-nos friamente perante a nossa própria visão da vida, as nossas dúvidas e o poder transformador das decisões. "

Comentário:
"Infelizmente é sempre assim (...) há sempre um que ama e outro que se deixa amar".
Um tijolo de palavras escritas.
A história de vida de um jovem com pé boto que consegue, após muito esforço e um amor que quase o consumiu, formar-se como médico e perseguir os seus sonhos. Mesmo abdicando de parte deles pelo seu amor tranquilo.
E é isso que todos procuramos.
Adorei o livro, a começar pelo título...

quarta-feira, julho 03, 2013

Madrugada Suja


Título: Madrugada Suja
Autor: Miguel Sousa Tavares
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
"No princípio, há uma madrugada suja: uma noite de álcool de estudantes que acaba num pesadelo que vai perseguir os seus protagonistas durante anos. Depois, há uma aldeia do interior alentejano que se vai despovoando aos poucos, até restar apenas um avô e um neto. Filipe, o neto, parte para o mundo sem esquecer a sua aldeia e tudo o que lá aprendeu. As circunstâncias do seu trabalho levam-no a tropeçar num caso de corrupção política, que vai da base até ao topo. Ele enreda-se na trama, ao mesmo tempo que esta se confunde com o seu passado esquecido. Intercaladamente, e através de várias vozes narrativas, seguimos o destino dessa aldeia e em simultâneo o dos protagonistas daquela madrugada suja e daquela intriga política. Até que o final do dia e o raio verde venham pôr em ordem o caos aparente."

Comentário:
Este livro soube-me a pouco...
Havia ainda tanto a escrever!
Gosto muito de histórias de família, que se entrelaçam num percurso comum, e finais surpreendentes.
A ideia de como um simples erro nos acompanha a vida toda é terrivelmente assustador. E verdadeiro.
Há quem me acuse de ser sincera demais mas continuo a defender que a verdade liberta. O segredo fragiliza e corrói interiormente. A culpa transforma-nos.
Num panorama político que atravessa o 25 de Abril, esta obra transmite-nos valores muito diversos, sendo a integridade e a honestidade os que se destacam mais. Neste nosso Portugal pequenino, minado de corrupção, tráfico de influências e a vulgar cunhazinha, é um milagre encontrar este Filipe quixotesco.
E em quem será que o MST se inspirou? 

Citação:
"Mas pronto, partilhávamos o silêncio, e o sillêncio a dois não é o mesmo que o silêncio sozinho".

domingo, abril 28, 2013

O Aroma das Especiarias


Título: O Aroma das Especiarias
Autor: Joanne Harris
Editora: Edições Asa


Sinopse:
" Vianne Rocher recebe uma estranha carta. A mão do destino parece estar a empurrá-la de volta a Lansquenet-sur-Tannes, a aldeia de Chocolate, onde decidira nunca mais voltar. Passaram já 8 anos mas as memórias da sua mágica chocolataria La Céleste Praline são ainda intensas.
A viver tranquilamente em Paris com o seu grande amor, Roux, e as duas filhas, Vianne quebra a promessa que fizera a si própria e decide visitar a aldeia no Sul de França. À primeira vista, tudo parece igual. As ruas de calçada, as pequenas lojas e casinhas pitorescas… Mas Vianne pressente que algo se agita por detrás daquela aparente serenidade. O ar está impregnado dos aromas exóticos das especiarias e do chá de menta.
Mulheres vestidas de negro passam fugazes nas vielas. Os ventos do Ramadão trouxeram consigo uma comunidade muçulmana e, com ela, a tão temida mudança. Mas é com a chegada de uma misteriosa mulher, velada e acompanhada pela filha, que as tensões no seio da pequena comunidade aumentam. E Vianne percebe que a sua estadia não vai ser tão curta quanto pensava. A sua magia é mais necessária do que nunca!"


Comentário:
"Algumas pessoas passam toda a sua vida sentadas à espera de um comboio e acabam por descobrir que nem sequer chegaram à estação."
Da série do Chocolate. A minha Vianne Rocher está imparável. Desta vez, a intolerância e a diferença centram-se na religião e não no delicioso sabor do chocolate, quase pecaminoso. O cenário é igual, a pequena vila, os personagens reencontram-se e acrescem os "maghrebins".
Descreve com assertividade esta velha questão em França da convivência entre diferentes mundos que simplesmente acreditam em Deus e em Alá, o que se reconduz a um ser superior.
O que me continua a chocar é o tratamento dado às mulheres. Esconder uma mulher para não causar desejo ao homem é de uma primitividade brutal. E puni-la por ser violada ainda mais.
Como sempre, encantou-me, surpreendeu-me e aprendi que quando o vento muda, não temos como fugir ao nosso destino.
Já a Vianne refere: "Nós (os adultos) temos a estranha faculdade de nos concentrarmos na diferença; como se excluir os outros pudesse tornar mais forte o nosso sentido de identidade (...) as pessoas são geralmente iguais em todo o lado. Sob o véu, a barba, a sotaina, é sempre o mesmo mecanismo (...) Vemos porque olhamos para além de toda a confusão do que os outros veem. As cores do coração humano. As cores da alma".
Quando for grande, quero ser assim...

As Cinquentas Sombras de Grey


Título: As Cinquenta Sombra de Grey (volume I/II/III)
Autor: E L James
Editora: Lua de Papel


Sinopse:
"As Cinquenta Sombras de Grey é um romance obsessivo, viciante e que fica na nossa memória para sempre.
Anastasia Steele é uma estudante de literatura jovem e inexperiente. Christian Grey é o temido e carismático presidente de uma poderosa corporação internacional. O destino levará Anastasia a entrevistá-lo. No ambiente sofisticado e luxuoso de um arranha-céus, ela descobre-se estranhamente atraída por aquele homem enigmático, cuja beleza corta a respiração. Voltarão a encontrar-se dias mais tarde, por acaso ou talvez não. O implacável homem de negócios revela-se incapaz de resistir ao discreto charme da estudante. Ele quer desesperadamente possuí-la. Mas apenas se ela aceitar os bizarros termos que ele propõe... Anastasia hesita. Todo aquele poder a assusta - os aviões privados, os carros topo de gama, os guarda-costas... Mas teme ainda mais as peculiares inclinações de Grey, as suas exigências, a obsessão pelo controlo… E uma voracidade sexual que parece não conhecer quaisquer limites. Dividida entre os negros segredos que ele esconde e o seu próprio e irreprimível desejo, Anastasia vacila. Estará pronta para ceder? Para entrar finalmente no Quarto Vermelho da Dor?!"

Comentário:
O primeiro volume podia ser o único...
Os restantes só serviram para um mais do mesmo, num rame-rame de sexo e posições sexuais.
As palavras que li não foram nada de especial mas porque mais que ridículo que pareça, acabei o livro com uma cultura de cama muito interessante.
E a probabilidade de uma rapariga virgem encontrar um milionário experiente? Nenhuma ou alguma. Mas face ao que tenho vivido, arrisco afirmar que tudo pode acontecer, nesta vida que nos prega rasteiras todos os dias, com um sorriso trocista nos lábios.

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Maligna


Título: Maligna
Autor: Joanne Harris
Editora: Edições Asa


Sinopse:
"Alice e Joe têm em comum a paixão pela arte - ela é pintora e ele é músico - e, em tempos, estiveram também unidos pelo amor que sentiam um pelo outro. As suas vidas seguiram diferentes rumos, mas o reencontro é inevitável. Joe tem agora uma nova namorada, Ginny, que provoca em Alice uma intensa perturbação. A beleza etérea e singular de Ginny repele-a, e o seu sinistro grupo de amigos atemoriza-a.
Os hábitos estranhos da jovem deixam Alice suficientemente inquieta para levar a cabo uma investigação por conta própria. E o que descobre vai mudar tudo. Ginny tem em seu poder um velho diário que conta a trágica história de amor de Daniel Holmes e Rosemary Virginia Ashley, cujo poder de sedução não conhece limites. Só que Rosemary morreu há meio século… mas o seu magnetismo não está certamente extinto.
À medida que as histórias se entrelaçam, passado e presente fundem-se; Alice apercebe-se de que o seu ódio instintivo em relação à nova namorada de Joe pode não se dever apenas ao ciúme, já que algo em Ginny a arrasta irremediavelmente para um universo de insondável obsessão, vingança, sedução e sangue…"

Comentário:
Uma das minhas escritoras favoritas...
Leio tudo o que publica.
Achei piada a esta história apesar do vampirismo subjacente porque a Joanne confessa que se trata do seu primeiro livro. Que nem gostava muito dele. Que não queria reeditá-lo. Mas a pedido dos "seus" leitores, lá nos deu uma oportunidade de ler a maravilha que era na sua juventude.
É uma escrita ainda imatura mas revela já a grande escritora que escreveu o "Chocolate".

segunda-feira, setembro 17, 2012

As Serviçais



Título: As Serviçais
Autor: Kathryn Stochett
Editora: Saída de Emergência


Sinopse:
"Skeeter tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade a Jackson, Mississippi. Mas estamos em 1962, e a sua mãe só irá descansar quando a filha tiver uma aliança no dedo.
Aibileen é uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças. Quando o seu próprio filho morre num acidente, algo se quebra dentro dela.
Minny, a melhor amiga de Aibileen, é provavelmente a mulher com a língua mais afiada do Mississippi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego… até ao momento em que encontra uma senhora nova na cidade.
Estas três personagens extraordinárias irão cruzar-se e iniciar um projecto que mudará a sua cidade e as vidas de todas as mulheres, criadas e senhoras, que habitam Jackson. São as suas vozes que nos contam esta história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza.
Uma história que conquistou a América e está a conquistar o mundo."


Comentário:
It´s a lovely book...
Com um tema sempre actual - a segregação racial - num Estado conhecido nem sempre pelos melhores motivos, é uma forma criativa de abordagem. As criadas que criam os filhos de outras, que recebem um salário mas não são livres. Nunca são livres. Agrilhoadas ao preconceito, à mesquinhez e à cor da sua pele.
O irónico da situação é que os patrões, ou melhor, as mulheres dos patrões, ao deixarem os filhos entregues às criadas, sujeitam-se a que as mesmas cresçam com a cabeça cheia de histórias que moldam a sua personalidade e abrem caminho ao "daltonismo"...

quinta-feira, agosto 16, 2012

Um Dia


Título: Um Dia
Autor: David Nicholls
Editora: Civilização Editora

Sinopse:
"Podemos viver toda uma vida sem nos apercebermos de que aquilo que procuramos está mesmo à nossa frente.
15 de Julho de 1988. Emma e Dexter conhecem-se na noite em que acabam o curso. No dia seguinte, terão de seguir caminhos diferentes. Onde estarão daqui a um ano? E no ano depois desse? E em todos os anos que se seguirão? Vinte anos, duas pessoas, um DIA."

Comentário:
Gosto muito deste género de livro... Porque acho ou pelo menos tenho a doce ilusão de que é muito realista. Bebe da vida dos homens e mulheres deste planeta. Género aquele filme em que a vida pode ter dois caminhos diferentes conforme se apanha o metro e vamos trabalhar ou perdemos o metro e voltamos a casa.
A Em e o Dex só ficaram juntos porque assim tinha que ser. Mas se optassem por prescindir do seu percurso de vida logo no início da idade adulta, não tinha resultado. A maturidade, a experiência com outras pessoas e o desenvolvimento das personalidades culminaram na percepção de que o amor está mesmo ali ao lado. Um amor de criança, amadurecido em barris de madeira de carvalho, para ser servido na ternura dos 40.
É desolador o fim. Simultaneamente ensina uma grande lição, podemos viver sem a pessoa que amamos e preservar a sua memória eterna. Demora muito tempo mas todos chegam lá.
Mesmo assim, continuam muitos cegos a deambular pelo mundo, com medo de arriscar e de pensar no que sentem durante mais de 5 minutos. Iam surpreender-se com as conclusões...

domingo, junho 17, 2012

A Máquina de Fazer Espanhóis


Título: a máquina de fazer espanhóis
Autor: Valter Hugo Mãe
Editora: Alfaguara

Sinopse:
"Esta é a história de quem, no momento mais árido da vida, se surpreende com a manifestação ainda de uma alegria. Uma alegria complexa, até difícil de aceitar, mas que comprova a validade do ser humano até ao seu último segundo.
a máquina de fazer espanhóis é uma aventura irónica, trágica e divertida, pela madura idade, que será uma maturidade diferente, um estádio de conhecimento outro no qual o indivíduo se repensa para reincidir ou mudar. O que mudará na vida de antónio silva, com oitenta e quatro anos, no dia em que violentamente o seu mundo se transforma?"

Comentário:
A ironia que caracteriza este livro deixou-me mais triste que divertida. É uma escrita diferente, muito crua, uma confusão racional. Um estilo peculiar, que tem influência nos grandes.
O internamento num lar para aguardar a morte na velhice não tem que ser aborrecido ou deprimente. Como se escreve a determinada altura: "nunca eu teria percebido a vulnerabilidade a que um homem chega perante outro. nunca teria percebido como um estranho nos pode pertencer, fazendo-nos falta. não era nada esperada aquela constatação de que a família também vinha de fora do sangue, de fora do amor ou que o amor podia ser outra coisa, como uma energia entre pessoas, indistintamente, um respeito e um cuidado pelas pessoas todas." Confuso, não? Se calhar, não...
É um tema que me assusta. Por um lado, o dia-a-dia até morrer. Por outro lado, o medo do desconhecido, do que está para além, da dor física, do definhar lentamente. Como a minha avó sempre diz "para morrer, mais vale morrer bem velhinha e durante o sono." :)
Gostei da estreia...