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domingo, setembro 29, 2019

A mulher que correu atrás do vento


Título: A mulher que correu atrás do vento
Autor: João Tordo
Editora: Companhia das Letras


Sinopse:
"1892, Baviera. Lisbeth Lorentz, uma professora de piano, apaixona-se por um aluno de 13 anos que sofre de autismo. Ao descobrir que ele é um prodígio, instiga-o a compor um concerto durante as aulas e, um dia, sem explicação, fá-lo desaparecer.
1991, Lisboa. Beatriz, uma estudante universitária — que sonha com o toque das mãos da mãe falecida — envolve-se com o autor d’A História do Silêncio, um romance sobre Lisbeth Lorentz. Ao mesmo tempo, enquanto voluntária num abrigo para mendigos, Beatriz conhece Lia, uma jovem adolescente com um passado incógnito e um presente destruído.
1973, Londres. Graça Boyard, portuguesa, dá à luz a primeira e única filha. Fugida de Lisboa durante as cheias de 1967, para escapar à tirania do pai e à mordaça da ditadura, regressa à capital após a Revolução, tornando-se uma actriz de renome — e abandonando a filha ainda criança.
2015, Lisboa. No consultório de uma terapeuta, Lia Boyard desfia a sua história, dos anos de mendicidade ao momento em que decide procurar a mãe. É aqui que começam a unir-se as pontas de um romance a várias vozes: a história de quatro mulheres - Lisbeth, Graça, Beatriz e Lia - que atravessam um século de História e diferentes geografias, unidas por uma força que transcende a própria vida.
Um livro sobre o poder do amor e o vazio da perda, sobre a amizade que nasce das circunstâncias mais improváveis e o terrível poder da confissão. E, quase no final, uma revelação chocante, a reviravolta que faz deste romance de João Tordo uma narrativa magnética."

Comentário:

Desta vez, as personagens femininas em destaque.
É complicado não perder o fio à meada.
Mas com a ajuda de umas notas consegui viajar por um século de vidas. E que vidas, fios que se ligam naturalmente. Com um final aberto. I think.
"É normal. Somos os nossos pais. Por mais que lutemos contra isso, eles são as nossas duas metades".

quarta-feira, setembro 17, 2014

Biografia Involuntária dos Amantes



Título: Biografia Involuntária dos Amantes 
Autor: João Tordo
Editora: Alfaguara

Sinopse:
"Numa estrada adormecida da Galiza, dois homens atropelam um javali. A visão do animal morto na estrada levará um deles — Saldaña Paris, um jovem poeta mexicano de olhos azuis inquietos — a puxar o primeiro fio do novelo da sua vida. Instigado pelas confissões desconjuntadas do poeta, o seu companheiro de viagem — um professor universitário divorciado — irá tentar descobrir o que está por trás da persistente melancolia de Saldaña Paris.
A viagem de descoberta começa com a leitura de um manuscrito da autoria da ex-mulher do mexicano, Teresa, que morreu há pouco tempo e marcou a vida do poeta como um ferro em brasa. O narrador não poderia adivinhar (porque nunca podemos saber as verdadeiras consequências dos nossos actos) que a leitura desse manuscrito teria o mesmo efeito sobre a sua vida.
As páginas escritas por Teresa revelam a sua adolescência no seio de uma família portuguesa contaminada pela desilusão: um pai ausente e alcoólico, um tio aventureiro e misterioso, uma mãe demasiado protectora. Mas o que ressalta com maior vivacidade daquelas páginas é o relato enternecedor do seu primeiro amor, ao mesmo tempo que começam a insinuar-se na sua vida realidades grotescas e brutais. Confrontado pela primeira vez com a suspeita dessa terrível possibilidade, Saldaña Paris mergulha numa depressão profunda. Determinado em libertar o amigo do poder corrosivo do mal, o nosso narrador compõe então, peça a peça, a biografia involuntária dos dois amantes. Uma biografia que passa pelo desvelar do passado, para que este não contamine irremediavelmente o futuro."
 
Comentário:
Adorei.
Uma estreia deliciosa.
O fascínio que exerce a vida das outras pessoas. Especialmente a obsessão de um homem por uma mulher repleta de mistério. Com um passado arrepiante que a marcou toda a vida.
"...nunca se encontra o amor porque não é passível de ser encontrado. Que não nos acontece quando queremos mas quando estamos distraídos ou adormecidos."
Retiro destas palavras escritas a certeza de nós somos o que fazem de nós, a nossa carapaça envolve-nos e determina tudo. Somos fruto das circunstâncias.
"...ter sido casado com uma mulher que tinha um passado porventura mais dilacerante que o dele; e desse passado, de tão poderoso, ter anulado o presente e transformado o futuro numa palavra lacónica e sem significado."
O passado eterniza-se em nós e não vale a pena tentarmos fugir porque ele faz parte do nosso corpo, como se fosse um odor.
E a ideia final de que as aventuras e desventuras de um amigo influenciam determinantemente a vida do outro amigo ao ponto do mesmo reconsiderar a sua posição na vida.
"Dedica-te a amar as coisas certas em vez das coisas erradas."