segunda-feira, janeiro 07, 2013

Maligna


Título: Maligna
Autor: Joanne Harris
Editora: Edições Asa


Sinopse:
"Alice e Joe têm em comum a paixão pela arte - ela é pintora e ele é músico - e, em tempos, estiveram também unidos pelo amor que sentiam um pelo outro. As suas vidas seguiram diferentes rumos, mas o reencontro é inevitável. Joe tem agora uma nova namorada, Ginny, que provoca em Alice uma intensa perturbação. A beleza etérea e singular de Ginny repele-a, e o seu sinistro grupo de amigos atemoriza-a.
Os hábitos estranhos da jovem deixam Alice suficientemente inquieta para levar a cabo uma investigação por conta própria. E o que descobre vai mudar tudo. Ginny tem em seu poder um velho diário que conta a trágica história de amor de Daniel Holmes e Rosemary Virginia Ashley, cujo poder de sedução não conhece limites. Só que Rosemary morreu há meio século… mas o seu magnetismo não está certamente extinto.
À medida que as histórias se entrelaçam, passado e presente fundem-se; Alice apercebe-se de que o seu ódio instintivo em relação à nova namorada de Joe pode não se dever apenas ao ciúme, já que algo em Ginny a arrasta irremediavelmente para um universo de insondável obsessão, vingança, sedução e sangue…"

Comentário:
Uma das minhas escritoras favoritas...
Leio tudo o que publica.
Achei piada a esta história apesar do vampirismo subjacente porque a Joanne confessa que se trata do seu primeiro livro. Que nem gostava muito dele. Que não queria reeditá-lo. Mas a pedido dos "seus" leitores, lá nos deu uma oportunidade de ler a maravilha que era na sua juventude.
É uma escrita ainda imatura mas revela já a grande escritora que escreveu o "Chocolate".

segunda-feira, setembro 17, 2012

As Serviçais



Título: As Serviçais
Autor: Kathryn Stochett
Editora: Saída de Emergência


Sinopse:
"Skeeter tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade a Jackson, Mississippi. Mas estamos em 1962, e a sua mãe só irá descansar quando a filha tiver uma aliança no dedo.
Aibileen é uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças. Quando o seu próprio filho morre num acidente, algo se quebra dentro dela.
Minny, a melhor amiga de Aibileen, é provavelmente a mulher com a língua mais afiada do Mississippi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego… até ao momento em que encontra uma senhora nova na cidade.
Estas três personagens extraordinárias irão cruzar-se e iniciar um projecto que mudará a sua cidade e as vidas de todas as mulheres, criadas e senhoras, que habitam Jackson. São as suas vozes que nos contam esta história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza.
Uma história que conquistou a América e está a conquistar o mundo."


Comentário:
It´s a lovely book...
Com um tema sempre actual - a segregação racial - num Estado conhecido nem sempre pelos melhores motivos, é uma forma criativa de abordagem. As criadas que criam os filhos de outras, que recebem um salário mas não são livres. Nunca são livres. Agrilhoadas ao preconceito, à mesquinhez e à cor da sua pele.
O irónico da situação é que os patrões, ou melhor, as mulheres dos patrões, ao deixarem os filhos entregues às criadas, sujeitam-se a que as mesmas cresçam com a cabeça cheia de histórias que moldam a sua personalidade e abrem caminho ao "daltonismo"...

quinta-feira, agosto 16, 2012

Um Dia


Título: Um Dia
Autor: David Nicholls
Editora: Civilização Editora

Sinopse:
"Podemos viver toda uma vida sem nos apercebermos de que aquilo que procuramos está mesmo à nossa frente.
15 de Julho de 1988. Emma e Dexter conhecem-se na noite em que acabam o curso. No dia seguinte, terão de seguir caminhos diferentes. Onde estarão daqui a um ano? E no ano depois desse? E em todos os anos que se seguirão? Vinte anos, duas pessoas, um DIA."

Comentário:
Gosto muito deste género de livro... Porque acho ou pelo menos tenho a doce ilusão de que é muito realista. Bebe da vida dos homens e mulheres deste planeta. Género aquele filme em que a vida pode ter dois caminhos diferentes conforme se apanha o metro e vamos trabalhar ou perdemos o metro e voltamos a casa.
A Em e o Dex só ficaram juntos porque assim tinha que ser. Mas se optassem por prescindir do seu percurso de vida logo no início da idade adulta, não tinha resultado. A maturidade, a experiência com outras pessoas e o desenvolvimento das personalidades culminaram na percepção de que o amor está mesmo ali ao lado. Um amor de criança, amadurecido em barris de madeira de carvalho, para ser servido na ternura dos 40.
É desolador o fim. Simultaneamente ensina uma grande lição, podemos viver sem a pessoa que amamos e preservar a sua memória eterna. Demora muito tempo mas todos chegam lá.
Mesmo assim, continuam muitos cegos a deambular pelo mundo, com medo de arriscar e de pensar no que sentem durante mais de 5 minutos. Iam surpreender-se com as conclusões...

domingo, junho 17, 2012

A Máquina de Fazer Espanhóis


Título: a máquina de fazer espanhóis
Autor: Valter Hugo Mãe
Editora: Alfaguara

Sinopse:
"Esta é a história de quem, no momento mais árido da vida, se surpreende com a manifestação ainda de uma alegria. Uma alegria complexa, até difícil de aceitar, mas que comprova a validade do ser humano até ao seu último segundo.
a máquina de fazer espanhóis é uma aventura irónica, trágica e divertida, pela madura idade, que será uma maturidade diferente, um estádio de conhecimento outro no qual o indivíduo se repensa para reincidir ou mudar. O que mudará na vida de antónio silva, com oitenta e quatro anos, no dia em que violentamente o seu mundo se transforma?"

Comentário:
A ironia que caracteriza este livro deixou-me mais triste que divertida. É uma escrita diferente, muito crua, uma confusão racional. Um estilo peculiar, que tem influência nos grandes.
O internamento num lar para aguardar a morte na velhice não tem que ser aborrecido ou deprimente. Como se escreve a determinada altura: "nunca eu teria percebido a vulnerabilidade a que um homem chega perante outro. nunca teria percebido como um estranho nos pode pertencer, fazendo-nos falta. não era nada esperada aquela constatação de que a família também vinha de fora do sangue, de fora do amor ou que o amor podia ser outra coisa, como uma energia entre pessoas, indistintamente, um respeito e um cuidado pelas pessoas todas." Confuso, não? Se calhar, não...
É um tema que me assusta. Por um lado, o dia-a-dia até morrer. Por outro lado, o medo do desconhecido, do que está para além, da dor física, do definhar lentamente. Como a minha avó sempre diz "para morrer, mais vale morrer bem velhinha e durante o sono." :)
Gostei da estreia...

domingo, maio 20, 2012

O Fim da Inocência



Título: O Fim da Inocência
Autor: Francisco Salgueiro
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
"Aos olhos do mundo, Inês é a menina perfeita. Frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Por detrás das aparências, a realidade é outra, e bem distinta. Inês e os seus amigos são consumidores regulares de drogas, participam em arriscados jogos sexuais e utilizam desregradamente a internet, transformando as suas vidas numa espiral marcada pelo descontrolo físico e emocional. Francisco Salgueiro dá voz à história real e chocante de uma adolescente portuguesa, contada na primeira pessoa. Um aviso para os pais estarem mais atentos ao que se passa nas suas casas. "

Comentário:
É assustador. Confesso que li este diário num ápice, engolindo em seco e com visões catastróficas do futuro das minhas filhas quando adolescentes. Depois, respirei fundo e estou na expectativa. De que as mentiras mais graves sejam pedir pastilhas a outras pessoas quando eu não permito ou comer chocolates às escondidas deixando os papéis pela casa. Nem quero pensar em mais nada. Só posso dar o meu contributo com a minha presença, uma pincelada de valores e um crescimento tranquilo, sem fracturas de rompante ou desequilíbrios súbitos. Há que olhar para os filhos e conseguir vê-los...

domingo, maio 13, 2012

O Caderno de Maya




Título: O Caderno de Maya
Autor: Isabel Allende
Editora: Porto Editora

Sinopse:
"Um passado que a perseguia. Um futuro ainda por construir. E um caderno para escrever toda uma vida.
´Sou Maya Vidal, dezanove anos, sexo feminino, solteira, sem namorado por falta de oportunidade e não por esquisitice, nascida em Berkeley, Califórnia, com passaporte americano, temporariamente refugiada numa ilha no sul do mundo. Chamaram-me Maya porque a minha Nini adora a Índia e não ocorreu outro nome aos meus pais, embora tenham tido nove meses para pensar no assunto. Em hindi, Maya significa feitiço, ilusão, sonho, o que não tem nada a ver com o meu carácter. Átila teria sido mais apropriado, pois onde ponho o pé a erva não volta a crescer.´"

Comentário:
É um livro vertiginoso. Ao estilo próprio de Isabel Allende, com uma personagem montanha-russa que nos arrebata completamente. Alterna entre a vida calma de Chiloé e a loucura repentina de um passado sem fôlego. Faz confusão verificar que no fim da história a Maya só tem 20 anos e já passou por tanto. As drogas fazem isso, o tempo assemelha-se aos anos-luz do espaço. É o chamar viver intensamente...


domingo, fevereiro 05, 2012

A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao



Título: A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao
Autor: Junot Díaz
Editora: Porto Editora


Sinopse:
"Oscar Wao é enorme. E dominicano.
Gozado pelos colegas e isolado do mundo, sonha com raparigas e aventuras extraordinárias, sente vergonha por não estar à altura da reputação viril dos machos dominicanos, mas não consegue mais do que uma vida de desilusões.
Para Oscar, o drama é um fado demasiado familiar.
A sua breve e assombrosa vida está marcada a ferro e fogo por uma maldição ancestral, o fukú, que, nascido em Santo Domingo, é transmitido de geração em geração, como uma semente ruim.
Alimentada pela sorte dos seus antepassados, quebrados pela tortura, pela prisão, pelo exílio e pelo amor impossível, a história de Oscar escreve-se fulgurante e catastrófica, e integra a grande História, a da ditadura de Trujillo, a da diáspora dominicana nos Estados Unidos e a das promessas incumpridas do Sonho Americano.

Comentário:
Foi um livro moroso de ler. Dois meses, nada normal. Mas como ando sem vontade de desistir, arrastei a leitura. E valeu a pena.
A ditadura de Trujillo continua a espantar-me pela sua crueldade. É uma memória eterna, de que os dominicanos não se livram, e que rege as suas vidas futuras porque há sempre um antepassado que passou numa "República" Dominicana carregada de maldade e perseguição.É engraçado a forma como o narrador encadeou as várias vidas que se cruzam, sempre com o dogma do fukú. Triste, violento e real. Cruelmente real.

quinta-feira, novembro 17, 2011

O Anjo Branco




tulo: O Anjo Branco
Autor: José Rodrigues dos Santos
Editora: Gradiva

Sinopse:
"A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo. O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.
No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco transforma-se numa lenda no mato.
Chamam-lhe o Anjo Branco.
Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar. Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens digna de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial - e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África."

Comentário:
O único livro que não fostei muito do JRS foi o que envolvia religião. Sem pachorra para o tema e para as deambulações teóricas eternas. "O Anjo Branco", mais uma vez inspirado na família (e que família ilustre), encheu-me as medidas. Gosto de histórias assim, transgeracionais.
Sempre com uma pitada histórica muito forte. Os portugueses em África, a guerra colonial. E o drama do bombardeamento às aldeias inocentes infiltra-se na pele da injustiça e dos abusos que a ditadura promove. E nestas ocasiões, há sempre um herói disfarçado que resiste, que faz a diferença...

quinta-feira, novembro 10, 2011

O Livro


Título: O Livro
Autor: José Luís Peixoto
Editora: Quetzal


Sinopse:
"Este livro elege como cenário a extraordinária saga da emigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade. Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade. Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura. Livro confirma José Luís Peixoto como um dos principais romancistas portugueses contemporâneos e, também, como um autor de crescente importância no panorama literário internacional."

Comentário:
Um bocadinho desiludida com o final. Meio confuso. De resto, descreve a vida na aldeia e a emigração portuguesa para França. É um retrato fidedigno do tipical portuguese. Com o qual não me identifico minimamente. Mas é o País que temos. E já muito evoluiu.

terça-feira, novembro 01, 2011

Os Olhos Amarelos dos Crocodilos



Título: Os Olhos Amarelos dos Crocodilos

Autor: Katherine Pancol

Editora: Esfera dos Livros



Sinopse:
"Este é um romance sobre uma mentira, mas também sobre a amizade e o amor, o dinheiro e a traição, o medo e a ambição.
A acção desenrola-se em Paris. Duas irmãs. Iris é uma mulher muito bonita, rica, elegante e sofisticada, mas vive desencantada com a vida e com o seu casamento. Joséphine é uma intelectual, historiadora, muito menos bonita do que a irmã e com uma vida bem mais difícil. Casada, tem duas filhas, vive nos subúrbios e trabalha para pagar as contas.
Certo dia, num jantar, Iris faz-se passar por escritora. Presa na sua mentira, convence a irmã a escrever o livro que ela própria assinará. Abandonada pelo marido, cheia de dívidas, Joséphine submete-se, como sempre, aos caprichos da irmã. Mas esta é uma decisão que vai mudar o destino destas duas mulheres.A escritora francesa Katherine Pancol traça com mestria um retrato real e vivo de mulheres que tentam triunfar na carreira profissional, na vida familiar e alcançar o reconhecimento social. Mas que, por baixo desta aparente vida de sucesso, escondem uma profunda infelicidade, falta de confiança e frustração.
Os Olhos Amarelos dos Crocodilos é uma verdadeira lição de vida. Este romance, um verdadeiro best-seller em Espanha e França, dá-nos a conhecer as mulheres que somos, as que queremos ser, as que nunca seremos e as que talvez sejamos um dia. Mulheres à procura de um caminho na vida, em busca de si próprias e à descoberta de novos amores."


Comentário:

Uma mãe desleixada. Um marido sai de casa para ficar com a amante. Fica sozinha com duas filhas. Numa luta desenfreada, torna-se independente na sua profissão de maneira a sustentar a nova família a três. Com muito sacrifício e alguma mentira. Apaixona-se de novo e renasce das cinzas.
Uma irmã bonita e rica. Com o casamento de sonho. Uma relação sem alicerces, uma fachada de vida que teima em querer continuar. Numa eterna farsa.
Apesar de tudo, ainda vale a pena começar de novo...

terça-feira, agosto 30, 2011

O Rapaz de Olhos Azuis



Título: O Rapaz de Olhos Azuis
Autor: Joanne Harris
Editora: Edições Asa



Sinopse:
"Ele conhece-a há uma eternidade e, contudo, ela nunca o viu. É como se fosse invisível para a mulher que ama. Mas ele vê-a a ela: o cabelo; a boca; o rosto pequeno e pálido; o casaco vermelho-vivo na neblina matinal, como algo saído de um conto de fadas.
Até agora, ele nunca se apaixonou. Assusta-o um pouco: a intensidade dessa emoção, a maneira como o rosto dela se intromete nos seus pensamentos, a maneira como os seus dedos traçam o nome dela, a maneira como tudo, de algum modo, conspira para que ela nunca lhe saia da cabeça…
Ela não sabe de nada, claro. Tem um ar muito inocente, com o seu casaco vermelho e o seu cesto. Mas por vezes os maus não se vestem de preto e por vezes uma menina perdida na floresta é bem capaz de fazer frente ao lobo mau… "



Comentário:
Sempre acompanhei esta escritora. Acho mesmo que li todos os livros dela.
Este é estranho. Complicado de perceber, decorre sempre num determinado prisma e de repente dá uma volta de 180.º graus e tem um final enevoado. O mau já não é mau, é vítima. E o bom transforma-se em predador. Com uma articulação engraçada com os blogs, os grupos on-line e as definições de privacidade. O mundo virtual ocupa um lugar destacado na vida destes personagens. Not the best but not yet the last...

terça-feira, agosto 09, 2011

Marina


Título: Marina
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Editorial Planeta


Sinopse:
"Em Maio de 1980 desapareci do mundo durante uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro.

Quinze anos mais tarde, a memória daquele dia voltou até mim. Vi aquele rapaz a vaguear por entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina tornou-se de novo incandescente como uma ferida fresca.
Todos temos um segredo fechado à chave nas águas-furtadas da alma. Este é o meu."

Comentário:
Mais uma história triste e intensa. Uma descrição cómico-trágica de relações familiares. Com Barcelona, the dream city, como pano de fundo, com as suas mansões abandonadas e os seus palácios decrépitos e fogo, muito fogo. Um Gaudi das letras.
Li com uma voracidade inabitual. E cheguei ao fim com a mesma sensação inicial, de como as pessoas que passam pela nossa vida deixam sempre uma cicatriz, fazendo uma manta de retalhos do nosso corpo...

domingo, agosto 07, 2011

Luz e Escuridão





Colecção: Saga Luz e Escuridão

Títulos:

Crepúsculo - volume I
Lua Nova - volume II
Eclipse - volume III
Amanhecer - volume IV
Autor: Stephenie Meyer
Editora: Edições Gailivro


Sinopse:
"A respeito de três aspectos, eu estava absolutamente segura. Em primeiro lugar, Edward era um vampiro. Em segundo lugar, uma parte dele - e eu não sabia qual era o poder dessa parte - ansiava pelo meu sangue. Por fim, em terceiro lugar, eu estava incondicional e irrevogavelmente apaixonada por ele."
"Para Bella Swan, existe algo mais importante do que a própria vida: Edward Cullen. Porém, estar apaixonada por um vampiro é ainda mais perigoso do que alguma vez poderia ter imaginado. Edward já salvou Bella das garras de um vampiro maléfico, mas agora, à medida que a sua destemida relação ameaça tudo o que se encontra por perto e todos os que lhes são queridos, eles apercebem-se de que os seus problemas podem estar apenas a começar..."
"Ao mesmo tempo que Seattle é assolada por uma série de mortes inexplicáveis e um malicioso vampiro continua a sua busca por vingança, mais uma vez Bella encontra-se rodeada por perigo em Eclipse, o terceiro volume da saga de Luz e Escuridão. No centro de tudo, ela é forçada a escolher entre o seu amor por Edward e a sua amizade com Jacob, sabendo que a sua decisão poderá atiçar a luta intemporal entre vampiro e lobisomem. Com o final do liceu a aproximar-se rapidamente, Bella tem mais uma decisão a tomar: vida ou morte. Mas, qual é qual?"
"Amares aquele que te matava, deixava-te sem outra opção. Como poderias fugir, como poderias lutar, se ao fazê-lo magoavas o teu amor? Se a tua vida era tudo o que tinhas para dar, como poderias recusá-la? A alguém que amavas verdadeiramente? Para Bella Swan, o amor inelutável por um vampiro enreda-se de forma fantástica e terrível com uma realidade perigosamente opressiva. Impelida, num sentido, pela sua paixão intensa por Edward Cullen e, no outro, pela ligação profunda ao lobisomem Jacob Black, Bella enfrentou um ano tumultuoso de tentações, perdas e conflitos que agora a coloca perante um momento final e decisivo. A escolha eminente entre ingressar no mundo tenebroso, mas sedutor, dos imortais, ou prosseguir uma existência inteiramente humana é o fio do qual se suspendem os destinos dos dois clãs. Agora que Bella já tomou uma decisão, uma cadeia perturbante de acontecimentos sem precedentes está prestes a desenrolar-se, com efeitos potencialmente devastadores e incomensuráveis. Quando os fragmentos corroídos da sua vida - inicialmente desvendada em Crepúsculo, e depois estilhaçada e dilacerada em Lua Nova e Eclipse - parecem prestes a sarar e a unir-se num todo, será que vão ser destruídos… para sempre? Espantoso e capaz de cortar a respiração, Amanhecer é o final anunciado da Saga Luz e Escuridão, onde se desvendam os segredos e mistérios deste romance épico fascinante, que arrebatou milhões de leitores. "


Comentário:
Há livros, e desta vez em dose quádrupula, que intervalam bem com os densos e difíceis de ler. Também merecemos literatura mais ligeira que nos envolve, que lemos com o coração a palpitar, que tentamos contornar umas páginas para espreitar o que nos aguarda e que em uma semana e meia nos deixa saudades de vampiros e lobisomens. É incrível como uma história de amor me distrai do essencial da saga. Confesso que esses mundos alternativos não são o meu forte. Pescoços descobertos, sangue humano, belezas estonteantes, transformações horrendas, tudo isso está muito bem narrado e descrito ao pormenor nos quatro volumes, a um nível de interesse cultural para lendas que volta e meia continuam tão actuais como o conde Drácula da Transilvânia.
O que me deleitou foi o nível relacional. A sensação de alma gémea (nos vampiros) e marcação (nos lobisomens) permitiu-me equacionar se cada ser humano tem alguém à espera com quem se identifique tão completamente, que formem um só, uma única alma envolvida por um amor invencível e invejável. O que significa que podemos morrer à procura...
Lidos com uma exaustão invulgar, terminei com um sorriso nos lábios e a promessa de uma eternidade acompanhada
.

sábado, julho 30, 2011

Algo Para Te Dizer


Título: Algo Para Te Dizer
Autor: Hanif Kureishi
Editora: Teorema


Sinopse:
"Algo Para Te Dizer segue a fortuna de um psicanalista de sucesso que, no princípio do livro reflecte sobre o seu crescimento nos subúrbios dos anos setenta, sobre o seu primeiro amor, e sobre um brutal acto de violência do qual não consegue escapar.
O livro retrata brilhantemente o sentimento de liberdade sexual daquela época, a excitação da cultura da droga, assim como a violenta luta entre as forças do trabalho e do capital. Os acontecimentos desses anos constituem um vivo pano de fundo para o drama que se vai desenrolar trinta anos mais tarde quando os personagens enfrentam a meia-idade com os traumas da sua juventude ainda por resolver.
Algo Para te Dizer fala directamente às nossas preocupações e ansiedades, e à nossa necessidade de amor. Por vezes cómico, por vezes dolorosamente terno, este romance é uma reflexão sobre a natureza das relações entre homens e mulheres, pais e filhos. Com uma mestria sem falhas, Kureishi criou uma memorável galeria de indivíduos reconhecíveis, todos eles em luta com os seus próprios limites como seres humanos, perseguidos pelo passado até que consideraram ser possível perdoar - a eles próprios, acima de tudo."


Comentário:
Mais um livro que demorei séculos a ler. Uma série de personagens estranhas, em busca do amor, que encontram pelo caminho muitos obstáculos. Um segredo do passado que volta à tona após anos de perseguição da consciência.
Vidas esquisitas que folgo em saber que existem mas sinto-me normal demais para compreendê-las. Como se fossem seres de outro planeta sem conseguir identificar-me com personagens com um grau muito acentuado de loucura, nem sempre saudável.
Gostei quanto baste.

sexta-feira, junho 03, 2011

O Sonho do Celta



Título: O Sonho do Celta
Autor: Mário Vargas Llosa
Editora: Quetzal



Sinopse:
"O Sonho do Celta baseia-se na vida do irlandês Roger Casement, cônsul britânico no Congo belga, em inícios do século XX, que durante duas décadas denunciou as atrocidades do regime de Leopoldo II. Este homem, amigo de Joseph Conrad (e que o guiou numa viagem pelo Rio Congo, revelando-lhe uma realidade mais tarde retratada no romance Coração das Trevas), teve uma vida extraordinária, plena de aventura. Acérrimo defensor dos direitos humanos, como também o comprovam os relatórios que redigiu durante a estadia na Amazónia peruana - militou activamente, no fim da sua vida, o nacionalismo irlandês, acabando condenado à morte por traição e executado."


Comentário:
Estranhamente, custou-me ler este livro.
Tanto que demorei dois meses. Mas consegui acabá-lo. É forte e intenso, com descrições pormenorizadas no Congo e no Perú das atrocidades cometidas contra os indígenas. Com uma parte histórica um pouco enfadonha.
É um prémio Nobel com muito melhor publicado, como já referi neste blog...

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Trilogia Millennium



Títulos:
Os Homens Que Odeiam as Mulheres - volume I
A Rapariga Que Sonhava com uma Lata de Gasolina e Um Fósforo - volume II
A Rainha no Palácio das Correntes de Ar - volume III
Autor: Stieg Larsson
Editora: Oceanos

Sinopse:
"O segredo da Trilogia Millennium, o maior sucesso de sempre da literatura policial, assenta na mestria com que o autor (Stieg Larsson) nos leva a querer conhecer os meandros mais obscuros da vida contemporânea: a corrupção nos meio económicos e financeiros, os movimentos organizados de extrema-direita, o abuso de poder e a violência contra as mulheres. E não é apenas a história que é viciante; as personagens que lhe dão vida fascinam-nos pela originalidade: a dupla improvável entre Lisbeth Salander, a jovem pirata informática, quase anoréctica, cheia de piercings e tatuagens e com um sentido de justiça muito próprio, e Michael Blomkvist, uma espécie de justiceiro que usa a escrita como uma arma para atingir o alvo com precisão, deixa-nos rendidos a horas de leitura e prazer."

Comentário:
I'm back...
E logo com uma trilogia.
A Lisbeth e o Michael acompanharam-me estes meses todos de ausência.
Os dois primeiros volumes foram lidos de um só trago. Denota-se uma escrita jornalística. Incisiva, uma "cut to the chase" envolvente mas previsível.
O terceiro volume é mais maçudo, o que para mim transmite mais veracidade à história que é vertida ao longo de tantas páginas. A existência da "Secção" é verosímel. A própria morte do escritor trouxe mais ênfase e mistério à intriga.
As personagens são extremamente densas. Fortes, vitoriosas apesar da fragilidade ou beleza física. É um estilo diferente, pouco romanceado. Serviu para voltar às lides da leitura.
E que saudades eu tinha de folhear as páginas de um livro...

sábado, maio 29, 2010

A Ilha Debaixo do Mar


Título: A Ilha Debaixo do Mar
Autor: Isabel Allende
Editora: Edições Inapa


Sinopse:
"Para quem era uma escrava na Saint-Domingue dos finais do século XVIII, Zarité tinha tido uma boa estrela: aos nove anos foi vendida a Toulouse Valmorain, um rico fazendeiro, mas não conheceu nem o esgotamento das plantações de cana, nem a asfixia e o sofrimento dos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. A sua bondade natural, força de espírito e noção de honra permitiram-lhe partilhar os segredos e a espiritualidade que ajudavam os seus, os escravos, a sobreviver, e a conhecer as misérias dos amos, os brancos. Zarité converteu-se no centro de um microcosmos que era um reflexo do mundo da colónia: o amo Valmorain, a sua frágil esposa espanhola e o seu sensível filho Maurice, o sábio Parmentier, o militar Relais e a cortesã mulata Violette, Tante Rose, a curandeira, Gambo, o galante escravo rebelde… e outras personagens de uma cruel conflagração que acabaria por arrasar a sua terra e atirá-los para longe dela. Quando foi levada pelo seu amo para Nova Orleães, Zarité iniciou uma nova etapa onde alcançaria a sua maior aspiração: a liberdade. Para lá da dor e do amor, da submissão e da independência, dos seus desejos e os que lhe tinham imposto ao longo da sua vida, Zarité podia contemplá-la com serenidade e concluir que tinha tido uma boa estrela."


Comentário:
Sempre me fez muita confusão a existência da escravatura. A noção de que num passado não muito distante, existiram seres humanos considerados objectos é abjecta e repugnante. Se há direitos que prezo são o da liberdade, da autonomia, da independência. Que também são difíceis de concretizar no mundo actual, no mundo em que vivemos.

Este livro transmitiu-me uma sensação de revolta. A vida sofrida de Zarité, com o diminuitivo carinhoso de Teté, a ânsia pela liberdade dela e dos seus e ainda em paralelo a história da ilha de Saint-Domingue (actual Haiti) transportaram-me para uma época peculiar.
Gostei muito, como de todos os livros da Isabel Allende, que considero quase uma "amiga", tal a exposição escrita que faz da sua vida e a emoção que transmite nas entrevistas e nos discursos. É uma mulher que admiro muito. Tomara eu ter a coragem de romancear a minha vida e da minha família.
É realmente bom nascer em liberdade e com liberdade. Não damos valor a isso. Contudo, são este tipo de testemunhos que nos deixam a pensar na Teté e em todos os que passaram por tal desumanidade. Embora a noção de escravatura seja muito abrangente e até se possa reconduzir, no limite, a esta vida estereotipada na sociedade em que vivemos.

sábado, março 27, 2010

Os Pilares da Terra - Volumes I e II


Título: Os Pilares da Terra (vols. I e II)
Autor: Ken Follett
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
"Do mesmo autor do thriller "A Ameaça", chega-nos o primeiro volume de um arrebatador romance histórico que se revelou ser uma obra-prima aclamada pela comunidade de leitores de vários países que num verdadeiro fenómeno de passa-palavra a catapultaram para a ribalta. Originalmente publicado em 1989, veio para o nosso país em 1995, publicado por outra editora portuguesa, recuperando-o agora a Presença para dar continuidade às obras de Ken Follett. O seu estilo inconfundível de mestre do suspense denota-se no desenrolar desta história épica, tecida por intrigas, aventura e luta política. A trama centra-se no século XII, em Inglaterra, onde um pedreiro persegue o sonho de edificar uma catedral gótica, digna de tocar os céus. Em redor desta ambição soberba, o leitor vai acompanhando um quadro composto por várias personagens, colorido e rico em acção e descrição de um período da Idade Média a que não faltou emotividade, poder, vingança e traição. Conheça o trabalho de um autêntico mestre da palavra naquela que é considerada a sua obra de eleição."

Comentário:
O primeiro volume foi mastigado. O segundo volume foi engolido. Entre sinais de trânsito vermelhos e dez minutos antes de adormecer profundamente, embrenhei-me nesta história dos tempos medievais.
Muito bem escrito. E já tem não sei quantos anos. Vibrei imenso com tudo, desde as tradições muito bem explicadas, aos pormenores de construção da igreja e à inevitável história de amor. Aliena e Jack, Tom e Ellen. São nomes que me vão ficar na memória. Bem como a conspurcação entre o poder e a Igreja. Vem de longe.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Arlington Park

Título: Arlington Park
Autor: Rachel Cusk
Editora: Edições Asa


Sinopse:
"Ao longo de um único dia, o bairro de Arlington Park é o elegante cenário no qual as vidas de cinco mulheres vão ser expostas. Juliet, inconformada com o papel que o casamento lhe reservou; Amanda, cuja obsessão pelo trabalho doméstico esconde o seu lado mais sombrio; Solly, prestes a dar à luz o seu quarto filho; Maisie, que tenta desesperadamente aceitar a pacatez da sua nova vida longe de Londres; e Christine, a optimista, que se prepara para reunir as suas vizinhas num jantar cujo desfecho é absolutamente imprevisível. Aparentemente, estas cinco mulheres têm tudo para serem felizes e, contudo, sentem-se manietadas pela frustração, os desejos reprimidos, o ódio e até a ocasional loucura. São esposas e mães que se refugiaram há muito num convencionalismo que as protege, principalmente da própria vida. Com um estilo elegante e lúcido, Rachel Cusk, uma das escritoras mais prestigiadas do panorama literário internacional, construiu uma narrativa ambiciosa, que é um marco na literatura anglo-saxónica contemporânea."


Comentário:
É um livro muito descritivo, sobre a vida das mães numa zona muito nobre dos subúrbios de Inglaterra. Não desenvolve muito face ao tema premente e sempre actual. Pequenas histórias paralelas de mulheres, e filhos, e centros comerciais, e pensamentos confusos, e vidas que acabaram antes de começar.Soube a pouco. Como um filme com final aberto, à espera do que se segue...

segunda-feira, janeiro 25, 2010

2010

Foram abandonados...
Os livros remeteram-se ao silêncio. Amuados, tristes. Não têm quem os leia. Por eles, me redimo e prometo ser mais atenciosa, meiga e dedicada. Incumprido o objectivo de um livro por mês, prevejo um ano complicado mas sempre com as letras a meu lado, no carro, na mala. Para onde vou, vêm comigo.
Suspendi a leitura do 2666. Com grande pena. Estava a gostar. A densidade, o volume e a dimensão diminuta do texto levaram a uma conclusão. Preciso de tempo e força nos braços. Ainda hei-de deleitar-me com aquele tijolinho maravilhoso.
Vai ser um ano decisivo de leituras. Brindemos a 2010!